Ainda ontem estava a falar sobre isto com o namorado da minha irmã. As empresas ou os patrões a quem os pobres desempregados como eu recorrem em busca de emprego não têm a mínima noção de quantas vezes são incorrectos.
Às vezes vamos a uma entrevista e fartam-se de nos elogiar e de falar como se o lugar já fosse nosso. E nunca mais nos ligam.
Outras vezes ficam de ligar a avisar se fomos seleccionados ou não. E não o fazem.
Outras tantas, como é o meu caso de momento, ficam de ligar para marcarmos reunião para conversarmos sobre o estágio profissional que me disseram que me iam dar. E não ligam. E eu vou lá e não têm tempo para me falar, mandam-me vir noutro dia e nesse dia voltam a não ter tempo. Pedem o contacto para me ligarem quando tiverem disponibilidade e não ligam. Volto a ir lá, espero uma hora e picos para que se dignem a falar comigo, quando falam ficam de me ligar até quarta ou quinta e daqui a pouco é noite e, claro, não ligaram.
Parece que não têm noção de que estão a lidar com a vida das pessoas e que estas devem ser tratadas com um bocadinho mais de atenção e, sobretudo, consideração. Se não quer, está no seu direito, basta dizer. Se não, não prometam mundos e fundos e nunca mais dizem nada! É que eu estou farta de ir ao escritório praticamente pedinchar e não o vou voltar a fazer... sinto-me ridícula!
PS: hoje o recrutador que me fez uma entrevista disse que eu não me mostrava interessada e parecia passiva. Eu fiquei a olhar para ele com ar de parva e só respondi "Eu estou interessada. Mas sabe, são tantas entrevistas e nem uma resposta, uma pessoa desanima. E depois ficam de nos dar uma resposta e não dão, e eu já nem sei que lhe diga. Quanto a estar passiva, desculpe lá, eu estava a ouvi-lo, como todos os outros candidatos... se calhar só não tenho perfil para estar a sorrir muito, porque não faz parte da minha personalidade". E ele disse que por ele já tinha terminado a entrevista há alguns minutos.
Olhem... hoje estou sem paciência para isto tudo, para continuar a esforçar-me sem retorno. Era um emprego de merda e ainda tenho de estar a ouvir parvoíces da boca de alguém que está todo engravatado sentado na sua secretária a querer que eu o convença dos motivos pelos quais estou excitadíssima por ir trabalhar para um sítio longe de casa, que me ia obrigar a gastar 200 euros em gasóleo ao mês em deslocações, mais portagens, mais alimentação, para ganhar 600 e pouco.
Lamento, mas não estava excitadíssima. Estava desanimada e triste conforme ia fazendo as contas do que me ia sobrar e a pensar que tenho de me sujeitar a isto, não excitadíssima.