segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Do apuramento

Houve um tempo em que eu sentia necessidade de ser simpática. No Natal, enviava aquelas mensagens de xaxa a toda a gente, mesmo que não conversássemos o ano todo (metade das vezes nem tinha resposta); quando recebia aquelas mensagens também de xaxa que se reencaminham para 10 pessoas ou 20 sobre a amizade, eu respondia, mesmo que achasse aquilo absurdo; quando recebia um convite para algo e não queria ir, ia porque não queria dizer que não; quando via que me estavam a tentar tramar ou a mentir ou o que fosse, eu não dizia nada. Hoje em dia, fruto da maturidade e, sobretudo, de já me ter desiludido muito, não tenho vontade de ser assim. Continuo a ser simpática com as pessoas de quem gosto mas não tenho paciência para esses joguinhos sociais, essas coisas convencionadas para ficarem bem. 
Se não converso com ninguém o ano todo, porquê desejar-lhe bom Natal? Tenho uma pessoa - sobre a qual já aqui escrevi - que durante uns anos foi a minha melhor amiga. Nos anos passados ainda perdíamos tempo com tretas de Bom ano, Bom Natal, Bom Aniversário. Este ano ela nem me disse nada nos meus anos, eu nem lhe disse nada no Natal, ela idem aspas e foi melhor assim. Afinal, se cagamos uma para a outra durante o ano todo (por mais que isso ainda me esteja entalado), porque vamos fingir que não?
Hoje em dia envio mensagem ou telefono àquelas pessoas das quais gosto mesmo, mesmo que só nos vejamos de X em X meses porque é isso que a vida permite. Educação sempre, simpatia forçada (já) não.

9 comentários:

GATA disse...

Também houve um tempo em que eu era simpática, até que me cansei... porque achei que não estava a ser simpática, estava a ser parva!

ádescávir disse...

Eu também já fui assim, mas consegui ganhar juízo e deixei de ser parva.

Conto de Fadas disse...

GATA, é isso. E se vires, a maioria das pessoas nem para isso se esforça... por exemplo, eu hoje não tenho paciência para responder a mensagens de xaxa reencaminhadas para 30 pessoas, mas houve vários anos em que nem resposta levava às mensagens de Natal pessoais que mandava. Não eram daquelas que se mandavam em fila, eu escrevia uma pessoal para cada pessoa... e nem sequer resposta levava. Cansei.

Sofia Miacis disse...

Ainda me lembro dessas mensagens e correntes.

Eu acho que ainda passava ao ponto de estupida, porque não queria mandar a certas pessoas mas depois ficava com aquele bichinho pode ser que fiquem chateados comigo. Ya right. Na altura também não tinha maturidade para pensar que quem fica chateado comigo por nao desejar bom natal é a minha familia e aqueles que eu me lembro de desejar bom Natal :)

Beijos

desGovernanta disse...

Já à uns dois anos que adotei essa prática de só ligar a quem me liga. Sentimo-nos muito melhor e podemos dar atenção a quem realmente importa.

Conto de Fadas disse...

Verdade, eu devo ter recebido meia dúzia de mensagens desde que adoptei esta táctica... mas as que vêm, são das sentidas!

Brutus Invictus disse...

Quem é que quer ter amigos apenas uma vez por ano?

footstep disse...

São essas perdas, que nos ficam "entaladas", que nos vão abrindo os olhos para o cinismo que existe à nossa volta.
É pena, porque um grande amigo devia sê-lo para sempre. :/

Boboquinha disse...

Nunca tive paciência para as coisas sociais para "ficar bem". Prezo a minha autenticidade e acho que isso nota-se, quando se manifesta.
As msg de natal enviadas em massa, nunca respondi a nenhuma. Para quê? As pessoas sabem que penso nelas. Se calhar, mais vezes do que um dia apenas por ano...

Ajuda não ligar "peva" a telemóveis... ;)