segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Para uma ex-amiga

Eu sei que não lês o meu blog, nem sonhas que existe. Se ainda fosses minha amiga, é evidente que saberias que ele existe, mas como já não és não sabes. Sei que fomos muito amigas durante a faculdade, apesar de já sermos colegas de liceu mas nunca termos tido essa relação antes, mas hoje não.
Quando entramos na mesma faculdade, na mesma turma, começamos a falar muito e tornamo-nos amigas. Quando eu, no fim do primeiro ano, terminei a minha relação anterior, foi para ter contigo que corri (literalmente) pela rua fora a chorar. E falamos muito, chorei muito, conversamos muito. Ainda guardo o cartão que tu própria fizeste, e dentro colaste um espelho que dizia "Um espelho, para que sempre que abras isto vejas a pessoa maravilhosa que és e que ele não merece". Guardo muitos bilhetes de amor-amizade que me escreveste, pequenos mimos.
Infelizmente, quando começaste a namorar afastaste-te. Só vivias para ele. É claro que quando quiseste casa e cama para começar a fazer as coisas normais de quem começa a namorar foi a mim que pediste. E fui eu que fiquei horas fora de minha casa para estarem lá os dois. Fui eu que limpei a porcaria no fim (não tiveste vergonha disso, porque na amizade é assim). Claro que foi comigo que desabafaste as amarguras de um namoro com um - e mantenho a opinião desde sempre - grande totó, chato, forreta e enfadonho.
Um dia eu fiz um comentário. Um comentário na tua festa de anos, onde à mesa só estávamos amigas. Um comentário tipo (nem me recordo, tal a insignificância) "agora já não és virgem". E, com certeza por influência dele, estiveste 5 meses sem me falar. De Maio a Outubro, apesar de no Verão eu te ter mandado mensagens e não ter tido resposta. No início das aulas na faculdade, em Outubro, vieste ter comigo arrogante a dizer que "agora já te sentias preparada para me perdoar" e disseste-me que tinhas ficado ofendida comigo. Por causa daquele comentário não me falaste, disseste que tinha sido indecente (não mais indecente do que no dia a seguir a teres perdido a virgindade teres estado a contar os pormenores mais nojentos em pleno bar da faculdade... com toda a gente a ouvir e a rir nas mesas atrás...).
Voltamos a dar-nos, mas não a mesma coisa. Nunca mais foi a mesma coisa. Entre nós havia uma sensação de desconforto, pelo menos para mim. Mas tu sempre me mandaste mensagens em que no fim dizias que me adoravas, só que eu já não acreditava. Desde que acabei a faculdade, há um ano e meio, só me mandaste mensagem nos meus anos (duas vezes), no Natal (duas vezes), no ano novo (uma vez... porque este ano nem isso, e por isso te escrevo agora), e em todos os exames em que quiseste ajuda e não tinhas mais a quem pedir. Porque não, não tens amigas que te dêem tanta importância como eu te dava. Porque toda a gente te considera uma totó, que és, e chata, que és, mas eu sempre gostei de ti apesar disso.

Escrevo-te - apesar de não ires ler - para que saibas que não te vou ajudar em mais nenhum exame. Escrevo-te para que saibas que não sou nenhum palhaço, nem sou burra para não saber que só me tens usado. Escrevo-te para que saibas que eu já não te adoro, já não sou tua amiga, e já não quero mais saber de ti. Escrevo-te para que saibas que vais ter de encontrar outra totó que responda às tuas mensagens à uma da manhã do dia anterior a fazeres um exame, histérica, a pedir ajuda. Escrevo-te para que saibas que eu nunca mais me vou pôr a pé ás 9h da manhã - em dias em que precisava era de descansar na minha folga - para ligar o pc, preparar os livros e códigos e fazer com que tenhas a melhor nota da turma. Nunca mais.

Porque tornaste-te uma merda de amiga. E para que saibas que não se põem os namorados - que são como os peidos: a seguir a um vem outro - na frente dos amigos.

9 comentários:

Cláudia disse...

Uma verdadeira carta aberta. Infelizmente há cada vez mais este tipo de gente, que não merece nada apesar de termos dado tanto.

Fica a mágoa, o que muitas vezes faz com que nem sequer consigamos sorrir perante as melhores recordações.

Crescer e amadurecer às vezes é uma porcaria, é o que te digo.

Poison disse...

Aconteceu comigo algo semelhante! Uma grande amiga, que eu ajudava sempre e sem pedir nada em troca, abandonou tudo em nome de uma namorado manipulador e que não gostava que ela fosse mais do que ele conseguia ser. Deixou tudo, amigos e faculdade por acabar... e nunca mais nos falou!
Quando por algum motivo se cruza connosco, somos autenticas estranhas!
Ela escolheu o caminho dela, e espero que nunca se arrependa porque nunca mais vai ter o ombro amigo que tinha!

Caixa disse...

Podem crer... só apetece mandar uma mensagem e dizer "Não, ainda não morri. A minha loja, que abriu daqui a pouco há 3 meses, está linda mas não está a correr espectacularmente... Obrigada por sequer teres perguntado!" Mas nem vale a pena.

Su disse...

Caixa ainda hoje tive um desabafo no meu blogue por causa de alguém que eu adorava e considerava a minha melhor amiga. Também foi uma desilusão.

GATA disse...

APLAUDO DE PÉ!

Especialmente porque me apetece fazer o mesmo, com a diferença que a pessoa lê o meu blog. Mas, no meu caso, seria dar-lhe a importância que ela não tem nem merece!

Ana Sá disse...

SU, já vou espreitar. Gata, até gostava que ela lesse... mas não, e nem me dou a esse trabalho.

L* disse...

Já falamos sobre isto, sabes que passei por algo semelhante com outra pessoa...
Eu estou como a Gata, às vezes apetece-me escrever sobre isso...mas como ela sabe da existência do meu blog...
Estas coisas custam, custam muito, mas pelo menos assim sabemos com quem podemos contar, quem são realmente os nossos amigos!
(ah, o último parágrafo está 5* :p)

Ana Sá disse...

L*, é por isso que eu costumo dizer que nem tenho amigos. Sou muito exigente na amizade... não considero qualquer um meu amigo, só aquele que sei que estará lá sempre, para o que der e vier, para onde eu precisar, quando eu precisar. E eu farei o mesmo por ele.

L* disse...

E fazes bem, eu também penso assim...já fui menos exigente e dei-me mal!
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