segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Das coisas que me irritam


Faz-me confusão o pessoal que vive à custa dos pais eternamente. Aquele pessoal que decide ir para a faculdade (um encargo brutal, sobretudo quando se muda de cidade!) tirar uma licenciatura, a seguir a isso resolve-se pelo mestrado, quiçá um doutoramento posterior e nunca lhe passa pela cabeça em começar, efectivamente, a dar ao sorelo e a trabalhar. Trabalhar cansa, né?

Conheço uns bons exemplares destas figuras, que não querem saber que os pais estejam a fazer sacrifícios imensos para lhes pagar a licenciatura, a seguir ainda vão para o mestrado (onde geralmente têm 2 a 3 horas de aulas em dois ou três dias da semana) e continuam sem trabalhar, a estudar à custa dos pais. Concluído o mestrado, porque trabalhar e fazer um doutoramento (e, sobretudo, pagá-lo) custa ainda mais, continuam a dedicar-se exclusivamente aos estudos e sem mexer uma palha, porque os pais ainda devem ter essa obrigação...

Finalmente, lá para os 30, 31 ou 32 começam a ponderar a hipótese de irem trabalhar e de desafogarem um pouco os pais. Se isto me irrita? Irrita, porque é egoísmo puro e duro. E não é isso que se deve aprender a ser na faculdade.

5 comentários:

Sílvia disse...

Contra mim falo porque tirei a licenciatura, estou a tirar o mestrado, e ao contrário de muitos o meu mestrado não tinha incluidas duas ou três horas de aulas por semana, era impossível para uma pessoa que trabalha fazê-lo, e tanto é verdade que um colega meu não conseguiu. Neste momento a fazer a tese também é impossível, porque entro cedo e saio tarde do laboratório, muitos fins de semana incluidos, por isso percebendo perfeitamente o que queres dizes, não é assim tão linear.
Se me incomoda esta situação? Muito, mas neste momento por muito esforço que fizesse seria impossível trabalhar ao mesmo tempo. Mas o que mais quero, o que mais desejo mesmo é acabar isto e começar a trabalhar, seja no que for.

beijinho*

Maria disse...

Compreendo perfeitamente. Isso também me choca..mal entrei para a faculdade arranjei logo um part time num shooping desde as 7h até à meia noite e, em 6 anos, tirei a licenciatura e o mestrado, pago por mim... os meus pais ajudavam como podiam, mas nunca quis abusar... e sim, tenho colegas que estão nessa fase do doutoramento.

Ana Sá disse...

Silvia, uma coisa é se estás a estagiar, como deve ser o caso... outra coisa é não fazer nada mesmo! Porque sim, os mestrados não têm aulas o dia todo, ou são pós-laborais ou sextas e sábados (não conheço excepções a esse método, nem fariam sentido), podes é estar a frequentar mestrado e a estagiar (senão não estarias em nenhum laboratório), e aí o caso muda de figura... Mas eu estou a referir-me sim a quem só estuda mesmo, como no caso do meu mestrado, em que eram 3 horas em dois dias da semana! E quase todos eles só estudavam... lol

Cláudia disse...

Há pessoal que usa argumentos tão falaciosos que nem sequer se dão conta da tontaria que estão a dizer, quando se fala neste tema.

O que tu aqui falas é mais um caso. Passam os 20, os 25, os 30 e queixam-se porque não "têm independência". Pois não, tiveram sempre os paizinhos para aparar as jogadas, dar-lhe tudo de mão beijada. Se bem que eu aqui acho que a culpa também passa muito (senão essencialmente) pelos pais que não sabem dizer "não" nem educar um filho para as adversidades e dizer "eu dei-te o essencial, agora vai à luta que é para dares valor".

às vezes sinto-me num mundo à parte, confesso.

Ana Sá disse...

Olha, também eu. E quando tive conversas sobre isto, os mimados (é o que eu considero, desculpem lá) ainda argumentavam que se os pais têm, têm é de dar e que preferem dedicar-se inteiramente aos estudos (e mesmo assim chumbar tanto, nossa senhora...). Pois, também eu queria, ora que essa!