terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Do luto do amor


Acabei de dar este conselho a uma pessoa querida da blogosfera e isso fez-me pensar neste post. Por experiência própria, considero que a melhor forma de nos conseguirmos libertar de uma relação que já terminou e da pessoa que essa relação implicava é estabelecermos para nós mesmos uma data, um acontecimento ou uma dada situação para que essa pessoa "fique morta e enterrada" no nosso passado.

Eu estou há quase 3 anos e meio com o meu Caixote, e a verdade é que não poderia estar melhor (só com mais dinheiro na carteira). Mas, antes dele, tive uma relação muito forte de 3 anos com outra pessoa. Essa pessoa, de repente, porque discutimos por uma coisa parva (um par de cuecas), dali a dois dias disse que já não queria voltar para mim, que precisava de tempo, que já não gostava de mim da mesma maneira, que mil e umas coisas. Tratou-me super mal, ao ponto de me escurraçar via telemóvel como se eu fosse um cão com pulgas. Bem, adiante.... eu fiquei, feita parva, sem entender o que raio se tinha passado ali. Num dia ama muito, dois dias depois já precisava de tempo, apesar de me amar "mas não da mesma maneira" (disparate, ou se ama ou não se ama... não há meios amores, e hoje sei disso, aqui não há morno ou quente). Nós terminamos por volta de dia 1 ou 2 de Outubro e nunca mais, até hoje, trocamos uma mensagem ou palavra. Eu faço anos a 8 de Novembro. Impus para mim a seguinte meta, dado que até ali acreditava que ele viria atrás de mim dizer-me alguma coisa (porque sempre o fizera): se ele não me disser nada no dia dos meus anos, no dia seguinte vou chorar muito e vou enterrá-lo, deitar a caixa dos papelinhos e declarações de amor, juras eternas, prendinhas simbólicas, tudo no lixo. Nesse dia vou enterrá-lo.

Claro está que, como pessoa que já se estava cagando para mim, ele não disse nada. E assim fiz: no dia seguinte chorei e solucei como nunca o fiz na vida e peguei naquela caixa e foi tudo contentor do lixo comum e resíduos urbanos abaixo. Naquele momento libertei-me dele, vi que aquela relação tinha terminado para sempre, e fui embora em paz. Durante quase um ano estive apaixonada por ele e chorava constantemente, muitas vezes em silêncio, muitas vezes no mesmo café onde conheci o amor da minha vida em Julho seguinte.

Por isso aconselho quem está assim, nesta situação de esperanças na mão e sem saber o que fazer: estabeleçam uma meta, um ponto de chegada (e de partida) a essa relação que têm pendente. Imponham uma data ou uma situação concreta e, só até aí, mantenham a esperança. Depois disso, partam em paz para uma vida sem ele ou ela.

9 comentários:

GATA disse...

A duração do luto depende de cada um, não acho que se devam impor datas para "matar e enterrar" um amor.

Eu tive um relação complicada, quem pôs o ponto final fui eu, ele ainda andou atrás de mim (mais pelo orgulho ferido de macho, diga-se) mas eu não cedi. E, ao meu ritmo, fui arrumando a casa: dei roupas que ele me tinha oferecido, livros, CDs...

Se há coisa certa que fiz na vida foi acabar a relação, paguei um preço muito alto, mas paciência!

Ana Sá disse...

Gata, eu só acho que se deve impor um limite a nós próprios para terminarmos as esperanças, não tem de ser uma data, mas uma situação (umas palavras mais duras). No meu caso foi uma data sim: quem não me diz nada nem sequer nos meus anos, está-se mesmo lixando para mim!

Maria disse...

bom conselho. eu também namorei 4 anos e , quando quis acabar com ele (porque me apaixonei por outra pessoa), ele "não me libertava", foi muito penoso... Eu quis manter a amizade, mas fiz mal, não o devia ter feito pois ele ficava sempre, sempre com esperanças... depois fiz esse distanciamento, e hoje, 4 anos depois, somos "amigos normais", cada um com o seu amor.

Cláudia disse...

Nunca passei por essa situação, felizmente, por isso não posso dizer como faria ou qual seria a solução para mim. Entendo que cada um tem a sua forma de lidar com o fim. Mas de um ponto de vista teórico e racional, acho que a tua forma foi muito boa.
Sem dúvida que é necessário fazer o luto. Carpir mágoas. Ter uns dias com pena de nós mesmos e outros tantos de uma raiva fulminante. Para que não fique nada por sentir ou chorar. Para se seguir em frente de cabeça erguida e sem fantasmas.

Também não consigo entender aquelas pessoas que passeiam de relação em relação e que não sabem viver apenas com elas mesmas, mas aí acho que já não há realmente amor e, por isso, o luto também não é algo muito necessário.

agridoce disse...

Hummm... Porque passei por isso há pouco, acho que marcar datas não é para mim. Simplesmente aconteceu. Um dia acordei e percebi que tinha sido o melhor!
Mas cada um saberá a melhor forma de lidar com os sentimentos. Ou não!

Ana Sá disse...

Como disse, não é uma questão de datas, pode ser uma situação, acontecimento ou qualquer outro "limite". Para mim sim, foi uma data, o dia dos meus anos... um dia que se sabia muito importante para mim e onde aquela pessoa não esteve presente. Foi o meu tal limite.

L* disse...

No meu caso, nunca impus limites...eles apareciam-me. Tive "lutos" maiores que outros, mas em todos eles, um dia acordava e resolvia que tinha de ficar por ali, e então fazia o que disseste...deitar as coisas fora! Acho que isso acaba por ser um pouco uma catarse...parece que nos sai um peso de cima!

Forgotten disse...

Saí há 8 meses duma relação de 9 anos, com uma filha de 4 anos.. tínhamos os nossos problemas, claro, mas tinha a certeza que os ultrapassaríamos sempre, ele próprio dizia que já tínhamos passado tantas coisas juntos.. tínhamos muitas discussões, eu a querer conversar para esclarecer as coisas, ele a NUNCA querer falar, eu com depressão, ele no mundo dele na net.. com os amiguinhos da onça, a darem conselhos de caca.. mas a nossa vida, apesar de estarmos juntos há tanto tempo, estava repleta de bons momentos e namorávamos muito, muito cinema, jantares, etc. durante uns dias fomos a uma feira aqui da zona à noite, como se fossemos namoradinhos, mãozinhas dadas, etc., até iríamos passar um fim-de-semana fora do país umas semanas depois, autoria dele.. no penúltimo dia dessa feira, durante a noite, ele acordou e fez-me festinhas na perna.. no dia seguinte, a meio da tarde, tomou banho, vestiu-se e saiu porta fora, acabou comigo e fez um ar como se não valesse a pena eu estar sequer a chorar, porque a relação não valia a pena o choro.. saiu sem querer falar acerca da situação da criança, da casa, etc. tratou-me como lixo.. rebaixou-me em emails, onde me disse que não gostava de mim há 4 anos, depois há 6, depois já era há 4 outra vez, no dia seguinte segundo ele já tinha seguido a vida em frente.. diz que o passado (eu) não lhe diz nada.. excluiu-me do facebook, gmail, googletalk, messenger, só troca emails para falar de assuntos que quer, quando escrevo o que não lhe interessa apaga os emails.. não me deu nenhuma explicação a cerca de nada, a não ser que não gosta de mim há tantos anos, nunca me explicou porque fingiu, se fingiu, durante o tempo que estávamos juntos nunca queria falar comigo, não conversava, se eu queria falar aumentava o som da música, virava-se de costas para mim.. fui tratada como lixo.. não reconheço aquela pessoa.. mas a verdade é que algumas semanas antes de sair de casa notei nele alguns comportamentos mais agressivos e muito estranhos.. como se me quisesse fazer sofrer e rebaixar.. a pessoa que eu conhecia nunca me faria isto.. o meu Amor nunca me teria feito isto.. ele era como família.. não a família que nos é "imposta", quando nascemos.. ele era família.. ele era família.. a nossa relação nasceu e sobreviveu no meio de montes de problemas, falta de dinheiro, doenças, não é como alguns casais que vão logo fazer férias juntos.. nós íamos a lugares passear, fins-de-semana noutras cidades, etc., mas para terem ideia, a nossa lua-de-mel foi passado 7 anos.. a nossa vida em termos materiais estava muito melhor agora do que ao longo dos restantes anos anteriores.. saiu de casa no final de Agosto, "impus" uma data em Setembro, quando seria o nosso aniversário, e fui ficando muito bem.. grande negação.. há um mês parece que acordei e estou a sofrer mais que nunca.. a vida dele seguiu mesmo em frente, faz coisas que não fazia.. parece que eu era um fardo qualquer.. é como se eu não tivesse existido nunca, e a pessoa que passava o tempo todo na net, que de noite queria vir sempre para casa mais cedo, quando estava comigo, deu lugar a uma pessoa boémia, que se for preciso nem pára em casa, e que até tem aulas de dança? Emagreceu mais de 20 kilos (não por desgosto, mas porque quis) parece que eu era um género de cancro.. eu também tenho feito muitas coisas giras e divertidas, inclusivé também tenho aulas de dança, mas eu sou ou era mais festeira e boémia que ele e gostava de estar sempre a fazer coisas fora da rotina.. nem que seja para não me lembrar do que poderia estar a sofrer se estivesse em casa a pensar nele.. mas tem alturas, em que acordo e não consigo parar de chorar.. nem com a filha ele é igual ao que era.. é o mínimo que pode ser..

Forgotten disse...

eu seria a pessoa que nunca sairia do lado dele, tal como aconteceu tanta vez.. fui tratada como lixo, uma qualquer.. a pessoa mais leal na vida dele (sem ser os pais, claro).. faz-me muita confusão, qualquer coisa que acontecesse ou não acontecesse, lá estavmos nós a contar um ao outro por SMS ou email.. hoje em dia.. só falamos (nem falar é, é mais informar) acerca da casa ou da menina..

sinto-me de luto.. a pessoa que amei morreu, porque a pessoa que hoje existe não é a pessoa que esteve ao meu lado, ou quiçá, a pessoa que esteve ao meu lado nunca existiu.. ele é um camaleão.. eu não conheço esta pessoa.. que não quer saber de nada, só dele próprio.. é muito estranho.. é como se os últimos 9/10 anos não tivessem acontecido, ou a acontecerem, foi com outra pessoa qualquer..

dsclpem qq coisa..